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O CANTO DO CISNE

 Um conto de fadas moderno

 Fantasia / Contos de Fadas / Releitura

Sinopse

Elena vê sua vida virar de cabeça para baixo quando espetáculo e vida real se misturam.

Nos palcos: ela interpreta a princesa Odette, de “O lago dos cisnes”, que, enfeitiçada, tem como sina se transformar em cisne todas as manhãs.

Na vida real: tal como ocorre na história que protagoniza, torna-se vítima do mesmo feitiço, e agora precisará encontrar o tal do amor verdadeiro para findar a maldição, sob o risco de perder o papel do espetáculo – e a própria vida.

capa livro o canto do cisne
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A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO:

Uma lenda alemã que originou um dos maiores clássicos do Ballet até hoje: O lago dos cisnes, e, posteriormente composta musicalmente por Tchaikóvsky em 1876 por encomenda do teatro Bolshoi em Moscou, Rússia.

Com muitas releituras desde então, como os filmes Cisne Negro, Princesa Encantada e até mesmo um da Barbie!, o livro O canto do cisne poderia ser somente mais uma releitura, não fosse o teor de contos de fadas moderno com toques de humor e verdade. Leitura ideal para jovens adultos.

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CAPÍTULO 1

– Lúcia, acho que vou morrer! – Dramática que só ela, Elena se referia à revolução interna que acontecia em seu estômago. – Tem muitas concorrentes boas aqui!

– Relaxa, amiga! Você é ótima, não apenas boa. Isso quer dizer que as chances são as melhores possíveis! – Lúcia vibrou do outro lado da linha.

Elena sorriu, sentindo-se um tiquinho mais aliviada por poder contar com o apoio da melhor amiga, que era um poço de otimismo.

 

Semana passada, tinha recebido o e-mail da produção confirmando sua última audição. Estava a um passo de realizar um de seus maiores sonhos: estrelar um grande espetáculo, a releitura de um dos clássicos do ballet – O lago do cisne –, que seria transformado em uma ópera rock.

Pena que o pai não comemorara com ela ao saber da notícia. Mais uma vez discutiram feio. Ele gostaria que a filha estudasse direito, medicina ou arquitetura. Todo o resto era perda de tempo e se dedicar à dramaturgia não levaria ninguém a lugar algum, costumava dizer. Já sua mãe não só comemorara vitória antes do tempo, como espalhou para todo mundo que a filha era a atriz principal de uma peça de teatro. As reações tão opostas, de um e do outro, não poderiam exemplificar melhor como eram os pais de Elena, divorciados desde que ela tinha cinco anos de idade.

 

Respirando fundo, deixou o passado para trás e choramingou mais um pouquinho.

– Promete que vou me sair bem?

– Mais que bem! Você vai se sair ótima! – Lúcia garantiu. – E depois vamos comemorar!

– Obrigada! Você é a melhor!

– Sei disso! – implicou com a amiga. – Agora, me deseja boa sorte porque, em vez de estudar anatomia básica de aves, fiquei de pegação com o gostoso do Joaquim. – Lúcia tinha esse dom de resumir seus problemas e esperar que se solucionassem por sorte.

Elena jurava que em outra vida Lúcia fora um Leprechaun ou coisa parecida. A sorte dela era mesmo uma coisa impressionante.

– Boa sorte! – Elena desejou com sinceridade.

– Obrigada, linda! Agora vai lá e arrasa! Merda pra você! – desejou Lúcia.

 

E foi o que Elena fez assim que seu nome foi chamado ao palco.

O toc, toc, toc de seu salto acompanhava a batida do coração ansioso. “Ai, meu Deus! Acho que vou ter um troço!”

– Númerro cinco, se apresente, porr favorr – Elena reconheceu Angelique Moreau Milano, uma das bailarinas francesas mais célebres de todos os tempos, como uma das diretoras do espetáculo.

Elena limpou a garganta tentando não parecer nervosa, mas falhou.

– Pra-prazer. Sou Elena Santini e sou cantora e atriz profissional.

– E dança? – Angelique perguntou, incisiva.

– Sim. Mas posso aprender mais com você.

– Muito bem. Nos mostre o que sabe fazerr – Angelique pediu em tom neutro.

– Elena, irei acompanhá-la nos diálogos – avisou Manolo Belle, deus do teatro brasileiro, e um dos diretores do espetáculo.

– Será um prazer – respondeu, tentando não demonstrar a empolgação juvenil que sentia por contracenar com ele.

“Tá legal. É agora!”, pensou Elena ao se concentrar. Ao reabrir os olhos, se esqueceu de que era atriz e estava sendo avaliada. Ela era Odette, a princesa.

~~~

Logo pela manhã, o rei recebera o mensageiro do reino vizinho. Tratava-se de um convite em nome do rei e da rainha, para comemorar o aniversário de seu filho e príncipe herdeiro do trono.

O envelope selado com o brasão da família real e a caligrafia elegante diziam muito a respeito da ocasião. Príncipe Siegfried atingiria sua maioridade, o que significava que procuraria uma moça para desposar e ter como futura rainha.

“Uma ótima oportunidade para fazer negócios”, pensou o rei.

– Horácio, contrate os melhores sapateiros e alfaiates de meu reino. Iremos ao baile de aniversário do príncipe Siegfried. Minha filha Odette deve ser a mais estonteante das moças – ordenou o rei.

– Sim, vossa majestade – curvou-se o humilde servo.

Antes de se retirar, no entanto, o rei lhe fez outra exigência:

– Certifique-se de que a preceptora de Odette reforce os passos de valsa. Não quero erros. E se ela estiver cantando para a criadagem outra vez, diga-lhe que a trancafiarei em uma torre, como nas histórias que tanto adora!

– Sim, vossa majestade.

Mas a rainha interrompeu:

– Ora, querido! Deixe que cante! Melhor que pratique e esteja afinada, se quiser encantar o príncipe.

– Odette não é sereia para encantar rapazotes com canto. É princesa, portanto, deve ter graça e beleza para casar-se com um príncipe. – Dito isso, comandou ao criado: – Agora vá, Horácio. Faze o que mandei.

 

Ouvindo tudo detrás da porta, Odette seguiu direto para os fundos, passando pela cozinha, pelo jardim e pelos campos além dos portões. Circundou um pequeníssimo lago e sentou-se à sua beira, desejando muito ser livre como os cisnes que nele planavam. E, triste, a princesa cantou.

– Princesinha, o rei te procura – o criado a surpreendeu em flagrante.

– Horácio! – espantou-se. Tinha despistado todos os criados.

Odette sabia que o pai não queria saber de vê-la se expondo. Cantar não demonstrava o recato que uma princesa deveria ter. Na opinião de seu pai, uma princesa deveria saber ler para recitar poesias – e não para ler tratados -, deveria ser bela – para que fosse apreciada e tida como uma de suas muitas posses –, deveria ser obediente – porque quem mandava era o rei –, deveria saber bailar – para acompanhar os passos de algum príncipe desconhecido, a quem seu pai a entregaria como uma relíquia a ser passada adiante.

– Ah, Horácio – suspirou a princesa –, como encontraste meu novo esconderijo? Agora terei de buscar outro lugar secreto.

– Sabes que não me importo, princesinha. Na verdade, sabes que adoro ouvi-la cantar. Mas receio que o rei...

– Mandou-te vir me procurar...

– Sim. Mas há um motivo. Um baile.

Odette arqueou as sobrancelhas, preocupada e interessada no que viria a seguir.

– O rei e a rainha do reino ao lado convidaram vossa família para o baile de maioridade do príncipe.

Odette bufou.

Horácio tentou convencê-la:

– Ora, anima-te! Terás oportunidade de fazer novas amizades. Pensaste nisto?

Odette começou a prestar mais atenção. Não tinha muito contato com pessoas da mesma idade. As poucas que conhecia ou eram plebeias – com quem seu pai proibia contato – ou eram suas primas, que moravam em terras distantes. Viam-se somente em datas especiais. Seria bom ter uma amiga com quem pudesse divertir-se e dividir as angústias, para variar.

– Poderás usar o vestido mais lindo que quiseres e dançarás a noite inteira, como nos contos de fadas.

Odette tornou a fechar a cara. Gostava de dançar, mas não gostava do que isso implicava em sua idade: encontrar um bom partido para se casar.

– Mas eu sou muito nova, Horácio! Não quero me casar! – Odette se levantou em um pulo, cerrando a mão em um punho. – Não estou pronta!

Horácio mais uma vez tentou apaziguá-la.

– Sinto muito, princesa. Mas já está na idade de se casar. A união entre os dois reinos faria vosso pai e mãe muito felizes.

– Tenho certeza que sim – murmurou revoltada.

– Princesa...

O tom alarmante de Horácio indicava que vinha mais.

– Diga logo. – Odette era do tipo que preferia o golpe de uma vez.

– Vossa mãe e tu foram convidadas para o chá de hoje à tarde da rainha.

Odette fechou os olhos, sentindo-se completamente derrotada por um momento. Sabia que o convite era um pretexto para a rainha escolher a dedo as candidatas para o filho. E com esse pensamento, o estômago embrulhou, a visão embaçou. Desmaiou.

Acordou pouco tempo depois, já em seus aposentos. A criada de sua mãe lhe passava compressa fria sobre a testa.

– Oh, querida! – Sua mãe suspirou, aliviada – Sente-se melhor? – perguntou, sentando-se ao lado da filha, na cama.

Odette observou a movimentação ao redor antes de responder. Tinha cerca de sete criadas correndo para lá e para cá, a fim de preparar banho e roupas de festim.

– Mamãe, sinto-me indisposta.

– Nada disso, Odette! – A rainha pôs a mão na testa da filha para se certificar de que ela não estava com febre. – Estás ótima!

 

Chegando ao castelo, foi recebida com floreios e música. Havia, além dela e da mãe, outras princesas e rainhas de lugares longínquos.

Cerca de dez garotas, todas na “idade certa para casamento”, estavam impecavelmente arrumadas como bonecas de porcelana. Era notável o interesse delas em se casar com o príncipe Siegfried.

Cada uma falava quando lhe era dada a chance e não perdiam a oportunidade de mostrar seus talentos. Teve princesas tocando piano, recitando poesias, exibindo adornos e descrevendo sobre as terras que tinham. A rainha anfitriã ouvia palavra por palavra e não escondia que estava avaliando tudo e todas. Quando chegou a vez de Odette, foi no ímpeto que falou que sabia cantar.

– Por favor, agracie-nos então.

A mãe de Odette engoliu a seco. Sabia que a filha cantava bem, mas não sabia com que olhos – ou ouvidos – a rainha julgaria.

Mas para a surpresa de todos e deleite da rainha, a voz de Odette era a mais doce possível.

A princesa cantou com uma esperança que vinha da alma e emocionou a todas. Exceto uma, que não era princesa, tampouco era nobre. Mas seu pai era influente e certificar-se-ia de acabar com quaisquer fortes candidatas ao coração do príncipe. A moça – que de humilde nada tinha, além dos poucos vinténs no bolso – tinha nascido para ser rainha e não pararia até conseguir o que queria.

Alheia à inveja, Odette terminava sua canção.

~~~

Elena cantava como se fosse um passarinho preso sonhando com a liberdade. Ela se movimentava sutil, quase etérea sobre o palco. E ao atingir o ápice da nota mais alta, terminou sua apresentação em grande estilo.

Tinha dado seu melhor.

Encarou os diretores – e jurados –, mas não soube dizer se haviam gostado. Estavam calados. Os olhos vidrados no além. Elena olhou para a fila de candidatas ao mesmo papel que ela, encontrando rostos tristes de derrota. Até ouvir alguém dizer:

– Incrível! – Manolo soltou.

“Ai, meu Deus!!!”, pensou e abriu um largo sorriso enquanto aguardava pacientemente que os demais se pronunciassem.

– Acho que encontramos a nossa Odette – disse Angelique com um meio-sorriso.

– Com certeza – respondeu Manolo com a mesma convicção.

Entretanto...

– Cedo demais para afirmar uma coisa dessas. Ela tem potencial, mas precisamos avaliar as outras garotas – a voz de Ronald Roland, produtor musical americano, reconhecido internacionalmente, ecoou dura pelo anfiteatro.

O sorriso de Elena murchou na mesma hora em que a concorrente número seis suspirou aliviada. Elena olhou para ela e ficou desconcertada com a semelhança entre elas. O.k. que um dos pré-requisitos para o papel de Odette era ter longos cabelos castanhos e olhos verdes. As outras concorrentes também eram semelhantes, mas nenhuma tão parecida com ela como a número seis. Ambas tinham a mesma estatura e biótipo, estilo mignon. Os cabelos também tinham o mesmo tom de castanho e escorridos quase até a cintura. Somente o verde dos olhos era diferente: o da número seis era verde-oliva enquanto o de Elena era esmeralda.

Os diretores fizeram uma rodinha e trocaram confidências. Elena pôde sentir alguns olhares em sua direção enquanto conversavam.

– Muito bem. Números 6 ao 10, vocês serão as próximas a se apresentarem. Números 1 ao 4, agradecemos pela participação, mas vocês não irão para a próxima etapa. Número 5, aguarde no auditório – Ronald ordenou, prático.

Elena se encaminhou à plateia e sentou em uma das cadeiras de trás. Depois de ter sido fuzilada por algumas concorrentes, ficou amuada.

 

A apresentação da número seis foi ótima. A extensão vocal dela era mezzo-soprano; entretanto ela compensava com a dança. Tinha uma habilidade invejável devido os trabalhos anteriores como bailarina profissional. Com certeza Angelique não deixaria passar despercebido esse detalhe.

Estava quase acabando com a carne do dedão – de tanto que mordia –, quando foi novamente convocada a unir-se às demais concorrentes, no palco.

– Muito bem, meninas. Vocês estão aqui porque foram as melhores da temporada. Foram mais de cinco cidades e centenas de pessoas avaliadas. Vocês chegaram longe.

– Anda logo, Manolo, isso aqui não é final de reality show. Isso é coisa séria! – resmungou Ronald.

Elena imaginou que, se estivessem em um show de talentos, Ronald seria o jurado mal-humorado que destrói sonhos. “Babaca.”

– Estou me divertindo tanto. Não corta meu barato! – Manolo pareceu nem se importar com a grosseria de Ronald. – Como estava dizendo, obrigado por terem participado da audição. Vocês são todas muito talentosas, mas vamos selecionar apenas duas de vocês. Uma Odette e uma Odile.

A notícia pegou todas as candidatas de surpresa. Normalmente era escolhida somente uma atriz/bailarina para interpretar ambas.

Ronald bufou e olhou ansioso do relógio para a candidata número seis. Manolo continuou:

– Depois de muita discussão, decidimos que a número cinco será Odette e a número seis será Odile. Parabéns, meninas! Vocês foram ótimas, mas daqui para frente, precisarão ser melhores ainda. Vejo vocês amanhã para o teste final com o Príncipe Siegfried.

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