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Nunca contei para ninguém porque escrevi Eterna

  • Foto do escritor: Bianca Sousa
    Bianca Sousa
  • há 16 horas
  • 3 min de leitura

Quando tinha 21 anos, eu tinha uma chefe incrível. Ela era linda, jovem, bem-sucedida, mas um dia ouvi ela conversando com outra pessoa no escritório, dizendo que a vida dela já estava acabada, que já tinha mais de 30 anos e que nunca mais conseguiria um amor, que tinha desistido.


Eu achei aquilo um absurdo sem tamanho, mas, como não estava na conversa, não intervi. Porém, fiquei com aquilo na cabeça. Eu, aos 21 anos, achando ela maravilhosa, e a bonita falando mal de si mesma para os quatro cantos do mundo, com um discurso introjetado de machismo e autodepreciação. É claro que eu não entendia tudo com a precisão de agora, mas fiquei revoltada mesmo assim. Algo dentro de mim achou aquela situação lastimável, absurda, e eu não me conformei.


Eu estava em casa, certa tarde. Eu tinha um blog, era pobre, não tinha dinheiro para sair e, desde pequena, era comum criar histórias para me refugiar nas histórias que eu inventava, ideias de mundos melhores.


Mas é claro que a psiquiatria quer colocar isso, o sonhar acordado, o imaginar mundos melhores, como transtorno e doença, porque, além de render milhões à indústria farmacêutica, o que mais a medicina faz é patologizar a vida. Tudo é problema do indivíduo. Nada da sociedade, aham... senta lá!


Voltando à minha chefe, é claro que ela se achava uma merda e que a vida tinha acabado aos trinta porque o discurso vigente que permeava principalmente a geração dela (lembrando que ela era mais velha que eu) era esse. Não era culpa dela que pensasse assim. Foi toda uma criação, uma cultura, mídia, enfim, tudo isso enfiando essa ideia na cabeça dela e de milhares de mulheres.


Hoje, consigo ver a misoginia escancarada em cada ato e lugar, e é triste demais. (E olha que melhoramos enquanto sociedade, viu!).

Então, certa tarde, eu tive a ideia de uma história. Eu tinha um blog. Lembra que falei? Era essa época, a época dos blogs. E, às vezes, eu criava pequenos contos nele. Eu chamava de pequenas histórias apenas, não sabia que eram contos na época. Hehe.


Mas então, um personagem surgiu na minha cabeça: um andarilho com um violão em busca de algo, de alguém. Ele não sabia quem era, mas sentia que era alguém.


E aí comecei a escrever. Olhei para o meu cachorro Eros, vivo na época, e o nome dele me lembrou o deus do amor. Voltei a olhar o arquivo que digitava e entendi que era uma história de amor. Era isso que ele procurava.


Então sentei e escrevi o primeiro rascunho de Bernardo Milano.


Logo depois, Cecília Ferreira, cientista de 30 anos com obsessão por encontrar um antídoto para a morte, apareceu para mim. Soube pouco tempo depois, enquanto escrevia, que Bernardo era um morto-vivo e que buscava justamente por ela, pela cientista.


E aí, humildemente, eu sentei e comecei a escrever meu primeiro livro. Foi uma jornada de 3 anos, porque eu não sabia o que estava fazendo. Portanto, fui atrás de cursos, oficinas literárias, livros didáticos da área, reescrevi infinitas vezes e achei mesmo que a edição daquele livro seria eterna. Kkkkk.


Hoje, em 2026, aos 36 anos, estou aqui editando de novo o bendito.


Trago ele novamente à existência, mais de dez anos depois do lançamento, em 2014: a nova edição de Eterna. Com cenas adicionais, outras editadas, outras coisas que cortei, mas, de fato, ele novo de novo. Foi a lapidação de um diamante bruto. Eu amo essa história.


E agora, aos 36 anos, reforço meu ponto de que pessoas 30+ podem ser incríveis e que a vida começa todos os dias.


Eterna será relançado em agosto/2026, durante a pré-venda.


Cecília Ferreira, a cientista 30+ de Eterna (livro). Arte por: Fae Brush
Cecília Ferreira, a cientista 30+ de Eterna (livro). Arte por: Fae Brush

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